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Descubra a Ilha Verde, na Irlanda do Norte, lugar rico em história e paisagens épicas

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por_ Federica Rossi

Decidir fazer uma viagem para a Irlanda do Norte significa mergulhar totalmente em uma experiência em que a realidade de hoje se mistura com uma antiga história de lendas e mistérios e na qual as tradições ancestrais se somam à cultura, à simpatia e à calorosa acolhida de seus habitantes. E a melhor época para visitar a Ilha Verde é a primavera, quando os dias ficam mais longos e a luz do sol realça as suas cores. Começando pelo verde, que domina sua paisagem pontilhada por gramados, colinas e vales em diferentes tonalidades, até chegar a Belfast, onde se destacam as cores das novas flores da estação, tanto aquelas bem cuidadas nos parques de cidades e antigas propriedades e castelos como aquelas espontâneas, que crescem ao longo da costa, desafiando os ventos do oceano Atlântico. 

Tais paisagens únicas e evocativas tornaram esta terra um dos lugares mais procurados pelos cineastas, que encontram aqui os locais mais espetaculares, como a série de televisão cult Game of Thrones. Sem esquecer a tradição gastronômica que tornou a ilha um destino que atrai gourmets e amantes do esporte, especialmente do golfe, que podem contar com alguns dos mais famosos campos do mundo. 

Vista do espetacular Royal County Down, campo que sediou o 148º Brithish Open | Foto: Arquivo

A nossa viagem começa explorando a área em torno do Royal Portrush Golf Club, que este ano sediou, pela segunda vez em sua longa história, o Brithish Open. Um momento marcante para o golfe da Irlanda do Norte, que após 68 anos voltou a ser protagonista do desafio mais fascinante, mais difícil, único e, por isso, ainda mais cobiçado. Ganhar o Open tem um sabor completamente diferente porque, para um golfista conseguir levantar o Claret Jug, um dos maiores títulos do esporte, é preciso primeiro entender a verdadeira essência do golfe e domar o peso da tradição, além de derrotar a força dos elementos naturais e a incrível dureza dos famosos links. 

Em julho o Royal Portrush Golf Club, no Condado de Antrim, recebeu os melhores jogadores do mundo. Trata-se de um campo impressionante, situado num promontório de rocha no Atlântico e protegido por altas dunas ao longo de uma faixa de praia branca na Causeway Coastal Route. Um link selvagem, moldado pelo vento e pela natureza, tornado ainda mais enigmático pelos bunkers invisíveis situados ao longo dos fairways e pelos greens ondulantes parecidos com montanhas-russas.

Quem ama  esse esporte não pode deixar de parar pelo menos uma vez na vida na Irlanda do Norte, que conta com 95 campos de golfe a uma distância máxima de 40 km uns dos outros, todos com desenhos espectaculares e capazes de deixar uma marca indelével na memória de quem quiser dar algumas tacadas.

Em uma viagem de apenas 15 km de carro do Royal Portrush, visitamos o Portrush Golf Club de Portstewart, uma verdadeira obra-prima que se estende à sombra das colinas de Donegal, numa península entre a praia e o Rio Bann. Do outro lado do rio fica o Castlerock Golf Club, outro campo histórico rodeado por territórios inexplorados e selvagens. Com o seu par 73, ele aguenta até os golfistas mais experientes, que, chegando ao buraco 4, terão de enfrentar o que os locais chamam de “Leg O’Mutton”: um par 3 de 182 metros castigado pelo vento e delimitado à direita pela ferrovia e à esquerda por um riacho, chamado de “burn”.  

A Irlanda do Norte possui muitos outros campos centenários: o Massereene, fundado em 1895 nas margens do Lough Neagh; o Newtownstewart, inaugurato em 1914 na propriedade de Baronscourt, residência do Duque de Abercorn; o Tandragee, na mansão do Duque de Manchester, que remonta a 1911, e o Omagh, aberto em 1910 e ampliado de 9 para 18 buracos só em 1983. 

Ruínas da Casta Dunluce, mansão construída em 1200 em cima de um bloco de basalto preto com penhascos que caem no mar | Foto: Arquivo

No entanto, quando se fala de campos na Irlanda do Norte, é impossível não mencionar o Royal County Down em Newcastle, no Condado de Down. Avaliado pelo Golf Digest como o melhor campo do mundo em 2017 e 2018, é o percurso favorito do campeão Rory McIlroy. Em 1889, Tom Morris decidiu duplicar o número de buracos de 9 para 18, pelo considerável valor (na época) de £ 4. As alterações subsequentes realizadas no link  foram projetadas por Harry Vardon e Harry Colt e, finalmente, a Donald Steel completou a obra, na configuração conhecida hoje. Chegando ao fim do percurso de 18 buracos, os golfistas podem brindar com um copo de Guinness no bar do clubhouse mais antigo do mundo, construído como um castelo há mais de 600 anos, com os canhões ainda existentes apontando diretamente para os fairways. 

Em direção à capital da Irlanda do Norte, a apenas 15 minutos de carro do centro da cidade, encontramos o Royal Belfast Golf Club, o campo mais antigo da ilha. Projetado em 1881 por Harry Colt, fica às margens do Belfast Lough e é um dos poucos percursos parkland da ilha. O mesmo tipo de percurso também está disponível para o Lough Erne Resort, projetado por  Sir Nick Faldo, seis vezes campeão major.  

Giant’s Causeway (Calçada dos gigantes), área com cerca de 40 mil colunas de basalto resultantes de erupção vulcânica, é um Patrimônio da Humanidade | Foto: Arquivo

Ao redor de Belfast, vale a pena parar no campo que deu origem ao Rory McIlroy, o Holywood Golf Club. Caminhando ao longo do clubhouse é possível admirar fotografias de um jovem e encaracolado Rory em seus primeiros anos de jogo, bem como réplicas do U.S. Open e alguns troféus ganhos no PGA Tour. 

A beleza da Ilha Verde também oferece aos golfistas momentos inesquecíveis em contato com a cultura e com uma natureza inexplorada. De Belfast, em menos de duas horas de carro é possível chegar facilmente a Dublin. Uma etapa na capital, cidade dinâmica que não para de se renovar, é obrigatória e conta com um dos mais animados e jovens cenários culturais da ilha. Espremida entre o mar e a montanha e atravessada pelo rio Lagan, a cidade pode ser visitada facilmente a pé, caminhando entre edifícios em estilo vitoriano e eduardiano. O marco da cidade é a City Hall, a Câmara Municipal construída no início do século XX em estilo renascentista com pedra Portland, embelezada com vitrais que ilustram lendas e mitos celtas. A uma curta distância se encontram edifícios como a Biblioteca Linen Hall, a Grand Opera House realizada em estilo vitoriano e, em direção ao rio, o Albert Memorial Clocktower, a torre do relógio inclinada. Desse ponto, você pode ver a distância os guindastes gigantes dos estaleiros Harland e Wolff, apelidados pelos habitantes de Sansão e Golias, onde o azarado Titanic foi inaugurado, em 1911. O Titanic Quarter é dedicado ao transatlântico mais famoso do mundo e hoje é um bairro completamente remodelado na área de onde o Titanic saiu e onde hoje é possível reviver sua história. 

Titanic Belfast, um edifício em forma de navio em vidro e alumínio, parece emergir das docas como um iceberg. Foi inaugurado em 2012, exatamente cem anos após a partida do famoso navio Titanic | Foto: Arquivo

De Belfast existe a opção de ir de carro ou, melhor ainda, de bicicleta e seguir a Rota Causeway Coastal Route, não apenas uma estrada costeira, mas um conjunto de aventuras com suas falésias com vista para o mar, praias brancas e cavernas misteriosas que se encontram em um dos roteiros mais famosos do mundo, eleito pelo Lonely Planet como “Best in Travel 2018”. Ao longo da monumental costa da Causeway Coastal Route aconselhamos fazer  um desvio para o Condado de Antrim e seguir o cheiro do whisky até a Destilaria Bushmills, a uma curta distância do Royal Portrush, que abriga os segredos e a história da bebida. Mais de 110 mil turistas visitam o templo do whisky a cada ano para descobrir todos os seus segredos e saborear os diferentes destilados. 

Continuando a viagem, nas falésias da Rota Costeira da Calçada se encontram os restos do Castelo de Dunluce, cuja imagem também domina o livreto de “Houses of the Holy”, o quinto álbum do Led Zeppelin. 

Um dos buracos do Royal Portrush, que sediou o 148º Open, em julho | Foto: Arquivo

Fortaleza construída em 1200, em cima de um bloco de basalto negro com vista para o mar, é um lugar que sobreviveu ao tempo e conta os feitos heróicos de seus proprietários. No final da estrada costeira, uma das mais belas do mundo, com 247 km de extensão, chega-se a Derry/Londonderry, uma pequena e animada cidade rodeada por muralhas construídas há mais de 400 anos, que mistura antiguidade e modernidade num cenário gastronômico de vanguarda e uma vida cultural rica em história. Se você está cansado de dirigir, a Irlanda do Norte tem muito a oferecer: hotéis e castelos para os momentos mais românticos.