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Diário de uma viagem golfística: Robert Trent Jones Golf Trail

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Robert Trent Jones Golf Trail é um complexo com 26 campos em 11 cidades do Alabama, nos Estados Unidos

Por Iguatemy Guaraná Mendonça*

Conheci o golfe ainda criança, pois meus pais jogavam no Itanhangá Golf Club, no Rio de Janeiro. Adoro viajar e jogar golfe com amigos. Durante muitos anos joguei no Guarapiranga Golf e Country Club, em São Paulo. Atualmente, jogo do outro lado da represa de Guarapiranga, nas raias do Clube de Campo São Paulo, e meu atual handicap índex é 12,4.

Acho que todos os apaixonados por esse esporte aspiram conhecer e jogar nos campos dos grandes torneios. Fiquei sabendo deste sonho, o Alabama Golf Trail, quando vi alguns campos construídos pelo Robert Trent Jones Sr, arquiteto de golfe anglo-americano que projetou ou redesenhou mais de 500 campos em 45 estados dos EUA e 35 países. No Brasil, temos somente um percurso projetado por ele, o campo do Clube de Golfe de Brasília, inaugurado em 1964.

A programação dessa viagem golfística começou a ser idealizada há quatro anos com amigos de vários clubes. O planejamento sobre preços de green fees, onde e quando jogar é muito simples de fazer on-line. Basta entrar no www.rtjgolf.com/ para se informar. Pode-se pagar adiantado para garantir os horários ou pagar na hora nos pro-shops dos campos escolhidos.
Os green fees variam de US$ 67 a US$ 106, incluindo cart e bolas no driving range para o público em geral. Uma barganha para a categoria desses complexos.

Esses campos com frequência listados pela Golf Magazine como Top 10 e Top 50 melhores do país e pela Golf Digest’s como “America’s Top 50 Affordable Courses” apresentam desafios para todos os níveis de jogadores, chegando alguns percursos a ter 8.191 jardas do tee preto e uma paisagem deslumbrante.

Fizemos as reservas com antecedência de forma bem conveniente e com ajuda do setor de reservas da SunBelt Golf Corporation, empresa que administra todo o empreendimento. Tudo pronto, malas feitas, taqueira arrumada, passaporte na bolsa e só golfe!

Eu, Uípiquer e Emerson partimos de São Paulo em novembro do ano passado, para conhecer o Alabama Golf Trail. Nossa viagem coincidiu com a foliage, aquela parte do outono em que as árvores adquirem tons do amarelo ao vermelho, um clima perfeito para jogar sem sofrer no calor do verão. Porém, quando desembarcamos em Atlanta, o frio assustou. Fazia 2°C e imaginávamos como jogar naquele frio.

Pegamos um pouco mais de duas horas de estrada até Birmingham, e o tempo estava bem melhor no Oxmoor Valley, nossa primeira experiência no RTJ Trail. Nesse par 72 existem cinco tees de saída, sendo o mais longo o roxo, com 7.167 jardas e rating de 74,9.

Ficamos em dúvida de que tee jogar e o starter recomendou o branco, considerando não só os nossos handicaps, mas também o fato de não conhecermos o campo. Quando vi as 6.021 jardas do branco (o segundo mais curto) avaliei que seria mais fácil, e as tacadas foram se somando durante o jogo. Tinha chovido nos dias anteriores e o campo estava pesado. Lição que foi relembrada: o golfe é mesmo para os humildes.

Ficamos hospedados em Hoover, já que no dia seguinte iríamos jogar no Ross Bridge (par 72, 78,4/147), localizado a menos de três milhas do Complexo do Oxmoor. O resort é fora de série. Essa joia da coroa tem um hotel que lembra um castelo europeu, cercado por cachoeiras, lagos, desníveis estonteantes e greens enormes.

No terceiro dia, 18 de novembro, fomos para Auburn, linda cidadezinha universitária e famosa por ser a casa do time de futebol Auburn Tigers. A cidade estava em festa, pois era época dos jogos universitários de muita rivalidade. Festa que também fizemos no Grand National – Lakes, um campo excepcional com quatro saídas, sendo a roxa mais longa com 7.289 jardas margeando lagos, florestas e greens super-rápidos.

No dia seguinte, jogamos o Legislator, um dos três championship courses do complexo Capitol Hill que recebe em média 80 mil jogadores por ano próximo a Montegomery, capital do estado. Esse campo de par 72 (com cinco saídas, a mais longa com 7.477 jardas) vai margeando o Rio Alabama e tem matas parcialmente alagadas.

No dia 20, retornamos ao Grand National para variar o jogo em outro campo, o Links. É difícil escolher qual dos dois é o melhor. Links (7.311 e rate 75,2 do roxo) ou Lake (7.289 jardas e rate 73,9). Esse complexo de 600 acres às margens do Lago Saugahatchee tem a água em jogo nos 32 dos seus 54 buracos. Após nosso jogo, tristeza, perdemos o parceiro Emerson, também nosso motorista que animava os deslocamentos com muita música country e nunca reclamou quando dormíamos no carro voltando para o hotel. Ele precisou retornar ao Brasil devido a compromisso profissional.

No sexto dia fomos ao Silver Lakes, que tem três campos de nove buracos com nomes sugestivos, Heartbreaker, Backbreaker e Mindbreaker, e greens com grama ultra dwarf putting surface que mais parecem mesas de bilhar, de tão rápidos. Como na maioria dos complexos do Alabama Golf Trail, aqui também jogamos 18 buracos de par três que são igualmente desafiadores. Esse complexo está localizado em Anniston/Gadsden, aos pés dos montes Apalaches. Uma beleza!

O outro jogo foi no Oxmoor Ridge (7.055 jardas, com cinco saídas), no Dia de Ação de Graças, com a temperatura em torno de 8°C e pudemos avistar perus-selvagens na floresta. Tenho certeza que eles nem faziam ideia que era Thanks Giving. Ainda bem que todas as club houses tem lareiras para nos aquecer depois dos jogos e estavam todas decoradas para o Natal. Tudo muito aconchegante. Um detalhe que nos impressionou foi o atendimento simpático de todo o pessoal do RTJ Trail, desde o setor de reservas dos tee times ao estafe dos pro-shops e bag drops. Em 23 de novembro, jogamos no Judge Course, em Prattville. Esse campo já foi considerado para sediar um US Open. Por exemplo, do tee branco são 5.910 jardas par 72 – 68.7/128. Não tem facilidade. Saia do fairway e encare roughs terríveis. Errou o green? Reze para sair das bancas profundas. Não está na banca? Procure bem a bola na grama alta ao redor do green. Esse é o padrão em todos os percursos. Muitos jogadores do PGA vão treinar de vez em quando nesses campos.

Último dia, último campo do Capitol Hill – Senator Course, um links estilo escocês com mais de 160 pot-hole bunkers e greens em forma de corcova com suas alturas variando de 6 a 12 metros. Jogo muito interessante e diferente por ser em links aberto, onde o vento é um fator que afeta a trajetória das tacadas.

Foram nove campos em nove dias, ou seja, faltam dois terços do RTJ trail para descobrir. Já estamos planejando desvendar os encantos de outros complexos, tais como Hampton Cove, Highland Oaks, Magnolia Grove e muito mais!


Um pouco da história do RTJ Trail
O Alabama’s Robert Trent Jones Golf Trail é o maior conjunto de campos de golfe do mundo, construído de uma só vez no final dos anos 1980. David Bronner, CEO do Fundo de Pensão do estado do Alabama, foi o visionário desse projeto. Ele tinha dois objetivos em mente: diversificar os ativos do fundo de aposentadoria dos funcionários públicos e a promoção do estado. Sua ideia foi usar o golfe como indutor do desenvolvimento turístico e econômico. Para tanto, trouxe Bobby Vaughan para liderar o projeto e a fundação da SunBelt Golf Corporation que desenvolveu, construiu e gerencia todos os campos do empreendimento. Para construir um projeto dessas dimensões, há que se atrair o que há de melhor. Aí entra o legendário arquiteto Robert Trent Jones Sr., que inquestionavelmente teve uma carreira sem paralelo no mundo. www.rtjgolf.com

Iguatemy Guaraná Mendonça é economista e golfista amador *