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Entenda o que mudou nesse ano e a evolução das regras ao longo do tempo

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por_ Marco Frenette

Assim como os próprios humanos, as regras nunca são perfeitas e precisam, portanto, de aperfeiçoamento constante. É por isso que em 1º de janeiro de 2019 entraram em vigor as novas e modernizadas regras do golfe. Porém, antes de atingir tal estágio de desenvolvimento, um longo caminho foi trilhado. Já se vão quase três séculos de ajustes, alterações e intermináveis discussões em todos os níveis profissionais e amadores, visando chegar ao ponto ideal: regras mais claras, justas e de menor complexidade. Ao fim, o que se busca é uma experiência cada vez melhor de jogo.

As novas Regras de Golfe, disponíveis em português com tradução do árbitro internacional Carlos Gasparian, trazem algumas alterações significativas. São elas: mudança do drope para altura dos joelhos; a medida de alívio é o comprimento do taco, e não mais em polegadas; não há mais penalidade por bater duas vezes na bola numa mesma tacada; acabou a penalidade por mover acidentalmente uma bola no green; tornou-se permitido reparar qualquer irregularidade na superfície do green; pode-se agora retirar ou mover impedimentos em bancas e obstáculos de água; o limite máximo de tempo para executar uma tacada passou para 40 segundos; não há mais penalidade por a bola bater em seu caddie ou em seu equipamento; nos putts, pode-se deixar a bandeira dentro do buraco; foi suprimida a penalidade se você pisar ou mover a bola enquanto a procura; e o tempo de procura da bola foi reduzido de cinco para três minutos.

Naturalmente, o objetivo de aprimorar as regras não é fácil de ser atingido, pois quando se ganha em síntese, tende-se a se perder em justiça. Um texto curto e rápido de uma regra, embora mais fácil de ser lido, pode dar margem a mais de uma interpretação. Por outro lado, se o texto se estende muito para não dar margem a dúvidas, pode se tornar complexo. A história desse longo esforço de correção costuma ser dividida em cinco grandes períodos. A seguir, um breve resumo de cada um deles, a partir de estudos e informações da Associação de Golfe dos Estados Unidos (USGA, sigla em inglês).

1744 – 1899 Surgimento e popularização das regras
Por mais de cem anos, os famosos “13 Artigos” foram se popularizando pela Europa e por outros lugares do mundo. Essas regras básicas são tão bem estruturadas em sua essência que, até hoje, o golfe é basicamente jogado como elas determinam. Porém, esse “basicamente” contém um outro mundo a ser explorado. Os campos foram melhorados, os equipamentos, aperfeiçoados, e outras necessidades surgiram, como a de o jogo ser mais rápido. Tudo isso fez com que, embora os “13 Artigos” fossem seguidos, muitas variantes surgissem. A partir do século 18, associações europeias foram tomando para si a responsabilidade de cuidar das regras, a exemplo dos Cavalheiros Golfistas de Leith e da Sociedade dos Golfistas de St. Andrews, depois renomeada como The Royal and Ancient Golf Club of St. Andrews, a mundialmente conhecida R&A. Do outro lado do Atlântico, surgia a também famosíssima USGA.

É desse primeiro período que vieram muitas mudanças importantes nas regras, como a definição de que o jogo oficial deveria ser disputado em 18 buracos. Também se fundamentaram conceitos importantes como o de “jogar a bola como se encontra” (estabelecido em Leith), e os de “bunker” e “putting green” como áreas definidas (estabelecidos em St. Andrews).

1899-1934 – Conflitos e contradições
Nesse segundo período, tanto a USGA quanto a R&A foram percebendo a necessidade cada vez maior de uma uniformização das regras. Essa percepção foi se tornando clara na medida em que os americanos adaptavam algumas regras, as quais continuavam diferentes entre os europeus. Um exemplo foi o estabelecimento da distância de um taco para algumas situações, como a de não alterar o lie; algo não estabelecido pela R&A, que usava somente o termo vago “nas proximidades da bola”. O resultado desse diálogo entre os dois grupos foi a publicação pela R&A, em 1908, de seu primeiro “Decisions Book”. Em 1927, a USGA a seguiu e também publicou seu livro de decisões. O ano de 1934 foi bem marcante, por causa da união de organizações de países como, Canada, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia, que colaboraram para o aperfeiçoamento das regras e decisões tanto da USGA quanto da R&A.

1934 – 1952 Necessidade de uniformização
Embora tenha havido muitos avanços nas decisões das duas associações, o impasse perdurava: como lidar com dois conjuntos de regras? Mantê-los seria impossível, uma vez que as discussões e desentendimentos dentro do golfe seriam intermináveis. Havia diferenças desde quais situações mereciam penalidades até em quais situações a bola poderia ser limpa ou não. Também havia descompassos, por exemplo: em 1938 a USGA limitou os tacos na bolsa a 14; a R&A só fez isso um ano depois.
O único caminho possível era, evidentemente, o da unificação. Desse modo, em janeiro de 1952, USGA e R&A finalmente mesclaram seus conhecimentos e experiências, lançando, pela primeira vez, livros com regras idênticas, embora cada instituição cuidasse em separado de suas publicações.

1952 – 1984 refinando a unificação
Esse período foi marcado por intenso trabalho das duas instituições para facilitar e normatizar o texto. A intenção era que os mesmos termos fossem assimilados por golfistas de todo o mundo. Em 1954, foram lançadas edições revistas das regras. Outras revisões vieram depois, em 1955, e uma nova, em 1956.
Ainda assim, havia idas e vindas. O ano de 1956 é um exemplo disso, quando foi abolida a penalidade ao jogador que, ao patear sua bola, batesse na bandeira que não fora retirada do buraco. Porém, em 1968, a penalidade foi novamente incluída. Também naquele ano incluíram a obrigatoriedade de patear sem interrupção, até embocar. No entanto, a antipatia por essa regra era tanta que a aboliram em 1970. Somente em 1984 as duas associações lançaram, pela primeira vez, um livro em conjunto com as regras.

1984 – 2019 aprimoramento constante
A partir de 1984, as revisões ganharam um ritmo mais estável e lento, com mudanças realizadas a cada quatro anos.
Após décadas de aprimoramento, os ajustes se tornaram, em geral, menos radicais ou transformadores do jogo. Por exemplo, em 2008 decidiu-se que orientar o adversário ou parceiro sobre distâncias não seria mais um conselho proibido e, portanto, sem nenhuma penalidade. Porém, uma decisão de 2016 trouxe uma significativa mudança: o jogador que apresentasse cartão de escore com contagem abaixo da real não seria desclassificado, mas uma recontagem seria feita e duas tacas acrescentadas como penalidade, não importando a motivação do erro.
A edição mais recente das regras entrou em vigor em janeiro de 2019, trazendo algumas mudanças interessantes, tais como a redução do tempo de procura da bola de cinco para três minutos, e a possibilidade de patear com a bandeira no buraco. A redução do número de regras talvez tenha sido a alteração mais significativa: de 34 para 24.

POR QUE AS REGRAS MUDARAM?
Os principais motivos para mudanças ou revisão das regras do
golfe, ao longo de quase três séculos, foram:

Evolução do desenho dos campos;
Novos materiais na fabricação das bolas;
Evolução dos tacos;
Facilitar a manutenção do campo;
Proteger áreas ambientais
Ampliação da área de jogo;
Combater o jogo lento;
Evitar acidentes em campo;
Tornar o jogo mais competitivo entre diferentes níveis de jogadores;
Esclarecer pontos controversos que davam margem a mais de uma interpretação;
Acomodar melhor o público ao longo do campo;
Fazer com que as regras fossem justas para todo tipo de golfistas e em todas as partes do mundo;
Melhorar e simplificar o texto;
Evolução dos tacos;
Facilitar a manutenção do campo;
Proteger áreas ambientais;
Ampliação da área de jogo;
Combater o jogo lento;
Evitar acidentes em campo;
Tornar o jogo mais competitivo entre diferentes níveis de jogadores;
Esclarecer pontos controversos que davam margem a mais de uma interpretação;
Acomodar melhor o público ao longo do campo;
Fazer com que as regras fossem justas para todo tipo de golfistas e em todas as partes do mundo;
Melhorar e simplificar o texto.

OS CONCEITOS E SUAS DATAS
Conheça alguns dos principais conceitos, decisões e instituições
envolvidas na longa construção das regras do golfe.