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Ricardo Melo: professor e comentarista de golfe há 14 anos fala sobre paixão pelo esporte

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por_ Fernando Vieira

O profissional Ricardo Melo realizou seu sonho de trabalhar só com o golfe, sua paixão desde criança. Muitos golfistas, mais de 90%, têm esse desejo que é poder jogar golfe, trabalhar com golfe, viver 24 horas de golfe. Do início das primeiras tacadas, na cidade de Santos, no litoral sul paulista, aos torneios como amador de toda a sua juventude, houve faculdade, trabalhos no mercado financeiro, até ser professor de golfe e ingressar na TV para ser comentarista de golfe dos principais torneios do mundo.

Na ESPN, única televisão que transmite os torneios ao vivo no Brasil, Ricardo Melo já está há 14 anos e lembra-se com emoção dos torneios que acompanhou no local, estando ao lado de grandes jogadores, como Tiger Woods, em torneios como US Open e Masters. O Masters de Augusta, sempre realizado em abril, é o meu predileto, tem toda uma história superespecial e os melhores golfistas estão sempre presentes, diz Ricardo.

Em 2019 serão 19 torneios transmitidos pela ESPN. Ricardo já tem na conta mais de 350 torneios, mais de 8 mil horas comentando as principais tacadas do golfe internacional e milhares de perguntas respondidas ao público, que em todos os torneios participa ativamente. Ricardo Melo acaba também respondendo perguntas nas suas redes sociais e até mesmo durante as aulas e clínicas que realiza em vários torneios pelo Brasil. Atualmente, Ricardo Melo é professor no São Fernando Golfe Clube, em Cotia (SP), e no Honda Golf Center, em São Paulo (SP).

Onde começou a jogar?
Nasci em Itumbiara, Goiás, e mudei para Santos, litoral paulista, com 5 ou 6 anos de idade. Comecei a jogar golfe muito jovem, com 7, 8 anos, no Santos-São Vicente Golf Club. Nunca pratiquei outro esporte competitivo, mas jogava futebol na praia, brincava, mas o único esporte que pratiquei realmente com seriedade foi golfe.

Golfe vem do berço?
Eu comecei a jogar golfe na infância porque meus pais jogavam. Meu pai e minha mãe eram sócios do Santos-São Vicente e passei toda a minha infância no clube de golfe. Lembro que todas as quintas-feiras ia com a minha mãe, porque era o dia de as mulheres jogarem, e no fim de semana era o programa da família ir para o golfe, meus pais e meus irmãos. Íamos de manhã e voltávamos somente à tardezinha. Sábado e domingo eu jogava golfe o dia todo. Depois, participei de torneios infantis, juvenis pelo Brasil. Foram muitos torneios, todas as recordações, coisas de golfista, são sempre no campo de golfe. Treinava e jogava com meus dois irmãos, o Sérgio e o Márcio Mendes de Melo. Foram muitos jogos juntos. Depois que meu irmão Sérgio faleceu, em 1985, eu e o Márcio continuamos sempre treinando juntos, participando de torneios internos e em outros clubes, inclusive de vários interclubes pelo Santos São Vicente.

Na infância você queria ser profissional de golfe?
Na verdade, quando criança, nunca pensei em ser profissional de golfe. Meu sonho era trabalhar no mercado financeiro, o que fiz por um tempo, e em comércio exterior, importação e exportação. Esse era meu sonho de infância e por muitos anos atuei na área de mercado financeiro. Nunca sonhei ou almejei ser profissional de golfe.

Quais foram os principais torneios de que participou?
Participei de vários torneios na juventude. Ganhei torneio da juventude no Clube de Campo, em 1973, fui vice-campeão no Gavea, no Rio de Janeiro, em 1974. Fui campeão dos Abertos do São Paulo, Aberto do Guarapiranga, Aberto do São Fernando, na categoria de handicap 0 a 9, na época tinha handicap entre 1 e 5. Venci o Aberto do Santos São Vicente scratch sete vezes e também fui campeão seis vezes com handicap; joguei o Torneio das Américas no Doral, nos Estados Unidos, em 1983, entre muitos outros.

Participei de todos os grandes torneios do Brasil. Também estive no amador do Brasil, Sul Brasileiro, no Aberto do Graciosa, que ganhei em 1973 e 1983. O Aberto do Graciosa, em Curitiba (PR), foi meu primeiro torneio com handicap 16 e fui campeão com 13 anos. Tenho o recorde do Aberto de Santos-São Vicente, não tenho muita certeza, mas acho que foi em 1986: eu fiz cinco abaixo do par em três dias de torneio no scratch e venci o torneio.

Quando passou para profissional e professor de golfe?
Decidi me profissionalizar em 2001, porque eu tinha saído do mercado financeiro e resolvi viver de golfe, que era minha paixão como jogador amador, pois nunca tive uma carreira como jogador profissional. Eu me tornei profissional com o objetivo de dar aulas. Fiz cursos aqui no Brasil, no exterior e comecei a dar aulas de golfe. Foi uma decisão tomada em 2 de fevereiro de 2001. Essa foi a decisão de viver de golfe.

Muitas lembranças das suas competições?
Minhas lembranças de torneios de golfe são todas amadoras: os eventos, os amigos que fazíamos e essa parte que o golfe tem de muito bom. Na época, os torneios tinham uma reunião social bem maior, não era só jogar e ir embora. Tenho bastantes lembranças dos torneios que joguei como amador em Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, no Nordeste.

Lembro-me com prazer dos Interclubes São Paulo, que eram muito bacanas. Os times jogavam sempre muito unidos, e fomos, com o Santos São Vicente, duas vezes vice-campeões. Como profissional só joguei dois torneios, o Aberto do Brasil, na Costa do Sauipe, na Bahia, e um torneio Samsung no Clube de Campo, aqui em São Paulo. Foram os dois únicos torneios porque, na verdade, minha paixão como profissional nunca foi jogar e sim dar aulas e fazer clínicas, palestras e viver da instrução do golfe.

Como começou na ESPN?
Já são 14 anos de ESPN. Comecei em 2005, com um teste num evento chamado Skill Games, em que havia várias vários tipos de tacadas, não era um torneio, e que cada golfista aprooach, na banca, putter, etc. Depois eu passei para os torneios e fiquei como comentarista titular de golfe dos canais ESPN desde setembro de 2005. Já fiz 350 torneios, comentei ao vivo o Master, o U.S. Open, fora do Brasil, estando presente nesses grandes eventos mundiais do golfe. Comecei na ESPN com uma indicação da Federação Paulista de Golfe para o teste do Skill Games, que teve a participação de outros profissionais. Eu fui o escolhido e sou o titular até hoje. O Masters de Augusta, sempre realizado em abril, é o meu predileto: tem toda uma história e os melhores golfistas do mundo.

Muitas histórias para contar nesses anos de ESPN?
Muitas histórias, muitos torneios, muitos parceiros e amigos. Comecei com Marco Antônio Rodrigues, depois com Carlos Lima, Sabela, Rubens Pozzi e Hugo Botelho. Gosto muito também quando temos amigos como convidados no estúdio da ESPN, como Richard Conolly, Jaime Gonzales, Roberto Gomes, Rafael Becker e Felipe Almeida, entre tantos outros. Histórias para contar o dia inteiro…

A quantas perguntas respondem por torneio?
Nas transmissões de golfe na ESPN respondemos, em média, entre 80 e 100 perguntas dos espectadores, um público fiel em todos os torneios. Fazemos na ESPN aproximadamente de 18 a 22 horas por evento de quinta a domingo.

Qual é o maior jogador de golfe da história?
No meu modo de ver é Jack Nicklaus. Assisti a Nicklaus jogar e também vi Tiger Woods. Acompanhei os dois pessoalmente jogando. Acho que o Tiger foi o melhor batedor de bola que eu já vi, mas, como golfista completo, desde a sua participação e vitória nos grandes torneios, 18 majors, e sua participação fora do campo, o que fez pelo golfe, sua família, comportamento, fair-play, Jack Nicklaus é o melhor jogador de golfe da história. Agora, dois golfistas, meus preferidos, são Tom Watson e Ernie Ells. Por incrível que pareça nunca fui torcedor do Nicklaus ou do Tiger. Hoje gosto do jogo do Rory McIlroy.

Foto: Zeca Resendes

Mais fácil jogar, dar aula ou comentar o golfe?
Acho que dar aula é mais fácil, porque você tem uns 45 minutos a uma hora com o mesmo aluno, tem tempo de raciocinar, conversar com ele, analisar o que é melhor ensinar, passar algumas técnicas, mudar alguma coisa. Fazer com que a aula renda e passar para o aluno as estruturas que você acha que ele precisa assimilar. A transmissão de golfe é muito rápida, apesar de o tempo de duração ser longo. Você tem que passar informações muito rapidamente, pois é muito dinâmico. Então, tem que estudar muito, tem que ler bastante para estar sabendo tudo que está acontecendo no momento da transmissão. Por isso, para mim, acho mais fácil dar aulas de golfe que transmitir um torneio.

O que falta para o golfe crescer no Brasil?
O que falta para o golfe crescer no Brasil é o desenvolvimento do jogo em si. Faltam dinheiro, patrocínio para o golfe, e não acredito que verbas do governo sejam a solução. Faltam investimento privado, melhoria em crescimento dos professores, crescimento do golfe infantil e juvenil. Enfim, dinheiro de patrocínio para que você consiga desenvolver escolas, campos, torneios. Mas eu ainda tenho fé, acredito que o golfe vai crescer bastante no Brasil.

Qual é a principal dica que você dá para seus alunos?
Dou bastante informação técnica sobre swing de golfe, friso bem que não existe um swing de golfe igual ao outro, pois cada aluno tem uma característica física, muscular. É importante tentar desenvolver com cada aluno um swing que se adapte às suas condições físicas de altura, peso, etc. É importante você discernir quando o aluno tem habilidades manuais, habilidades corporais, e decidir com o aluno o que é melhor para ele. Cada jogador de golfe tem a sua maneira de fazer o swing, próximo ao correto, próximo ao certo, mas cada um tem um corpo, cada um tem uma habilidade que você, professor, tem que descobrir e desenvolver com seu aluno. Principalmente, tento passar para o aluno a paixão pelo golfe, porque sou apaixonado por golfe e quero esse sentimento para os meus alunos, essa paixão por golfe, para que eles consigam sentir o jogo e jogar bem.

Ricardo Melo, durante aula de golfe | Foto: Zeca Resendes