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Um golfista de ouro

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Bicampeão olímpico de vôlei, Giovane Gávio encontra no golfe um novo esporte e uma grande paixão

por Henrique Fruet | fotos Zeca Resendes

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Poucos sabem, mas o Brasil já tem um golfista medalhista olímpico de ouro. As medalhas vieram em 1992, em Barcelona, e em 2004, em Atenas. Mas não foram conquistadas nos greens, já que o golfe só retorna às Olimpíadas este ano, após 112 anos de ausência, e sim nas quadras de vôlei. Giovane Gávio, após fazer fama mundial nas quadras, hoje tem o golfe como hobby.

Do alto de seu 1,93 metro de altura, já disputou mais de 400 partidas pela seleção brasileira, 30 campeonatos e 31 partidas em quatro Olimpíadas consecutivas. Agora, se prepara para sua quinta Olimpíada, mas desta vez do outro lado do balcão: é o gerente de competição do voleibol, respondendo pelo planejamento das competições de voleibol, vôlei de praia e voleibol sentado no Comitê Organizador Rio 2016.

Nas (poucas) horas vagas, relaxa jogando golfe no Itanhangá Golf Club, no Rio de Janeiro, onde mora, e luta para baixar seu handicap 24. “O jogo está quase encaixando, vocês vão ver!”, brinca o bicampeão, que aproveitou o papo com a Golf & Turismo para dar dicas aos golfistas brasileiros que lutarão por medalhas em agosto.

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Você tem jogado muito?

Tenho jogado mais do que no passado. Fiquei sócio do Itanhangá e tenho ido lá três ou quatro vezes por semana, apesar de estar trabalhando bastante.

Como foi o seu primeiro contato com o golfe?

Foi há quatro anos. Fui passar as férias em Fortaleza, no Aquiraz, com um amigo que jogava golfe, e ele me convidou. Esse foi o primeiro contato. Logo em seguida, encontrei o Douglas Delamar, diretor da Embrase, que me disse: “Ah é, você está jogando golfe? Pois agora vai cansar de jogar”. Aí comecei a jogar com ele e com o Wagner Martins, presidente da empresa, e aí virou paixão. Comprei meus tacos, comprei roupa… Mas eu ainda era muito iniciante. Jogava de vez em quando, a cada 15 dias. Não tinha uma regularidade. Na época, eu trabalhava como técnico, então não tinha muito tempo. Eu não jogava. Apenas batia na bola.

Como foi seu primeiro jogo no campo?

Foi lá no Aquiraz. Joguei várias vezes nas férias. Foi bem constrangedor, pois eu não acertava muito a bolinha, e quando acertava era shank para lá e para cá. É um esporte difícil. Mas eu insisti. Agora é que estou começando a jogar de verdade, que tenho a sensação de ter um pequeno controle de aonde a bola vai.

Que paralelo você faria entre o golfe e o vôlei?

Sinceramente, muito pouco. São esportes muito diferentes. No golfe, a bola está parada. No vôlei, está voando e a tomada de decisão é muito rápida. No golfe, você tem que analisar uma série de variáveis – devem ser umas 3 mil possibilidades a cada tacada (risos). No vôlei não dá tempo. Só na hora do saque é que você consegue pensar um pouco no que está fazendo. O resto é muito rápido.

O que o atraiu mais no golfe?

Em primeiro lugar, o desafio que é. Depois, é teoricamente um esporte de baixo impacto, principalmente para os membros inferiores. Não tem muito impacto no joelho. Quando eu parei de jogar vôlei, comecei a jogar tênis. Corria de lá para cá, e o joelho inchava do mesmo jeito. No golfe, isso não acontece. E jogo para me divertir, diferentemente do que era com o vôlei. Formei um grande círculo de amizades de golfistas em São Paulo. No final de semana, o programa dos amigos era jogar golfe.

Em São Paulo, onde você joga mais?

Agora, 90% no Itanhangá. Mas jogo muito pelo Brasil afora. Jogo muito no Terras de São José Golfe Clube, em Itu, no São Fernando Golf Club, em Cotia, e na Fazenda Boa Vista, em Porto Feliz.

_DSC0253Quais são seus pontos fortes e fracos no golfe?

Sempre treinei muito no vôlei para jogar bem. E, no golfe, a gente treina pouco e quer jogar bem. É um conflito interno. O fato de ter jogado profissionalmente um esporte lhe dá uns parâmetros do que seria o ideal num novo esporte. Se eu treinava 100% no vôlei, hoje treino 5% do que deveria no golfe. Dizem que o handicap indica quantos dias por mês você trabalha. Como o meu é 24, tenho trabalhado bastante. Tenho facilidade de manter a concentração. O golfe tem muitas situações em que você tem que ter tranquilidade para definir algumas jogadas, principalmente no green, e nisso acho que tenho alguma vantagem. Quando o meu swing ficar mais bem redondinho, o meu 1,93 m de altura vai me ajudar bastante. O melhor ainda está por vir! (risos).

Você está trabalhando no Comitê Rio 2016. O que faz exatamente?

Por razões bem óbvias, é um trabalho ligado ao voleibol. Sou o gerente de competição do voleibol do Comitê Organizador Rio 2016. Coordeno o voleibol de quadra, o vôlei de praia e o voleibol sentado. Já participei de quatro Olimpíadas como atleta e agora estou na quinta, desta vez como gestor. Eu não tinha ideia da dimensão e da complexidade que é a organização dos Jogos. Acho que todo atleta que tivesse esse conhecimento daria ainda mais valor às Olimpíadas.

Que dicas você daria aos golfistas brasileiros que pela primeira vez lutarão por medalhas olímpicas?

Eles têm que viver esse momento intensamente. É algo muito especial. Depois de 112 anos, o golfe estará voltando aos Jogos. É uma oportunidade de entrar para a história olímpica, ainda mais jogando em casa, em um momento único.

O que é pior: errar um saque ou dar três putts?

Se você erra o saque, é zero, não dá para voltar atrás; se errou o putter, você ainda pode fazer um bogey, um double e ainda pode recuperar no buraco seguinte, continuando no jogo. Se errar o saque, já era…